Vigilância em Saúde

Vigilância em Saúde 

A vigilância em saúde tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população, articulando-se num conjunto de ações que se destinam a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios, garantindo a integralidade da atenção, o que inclui tanto a abordagem individual como coletiva dos problemas de saúde. Constitui-se de ações de promoção da saúde da população, vigilância, proteção, prevenção e controle das doenças e agravos à saúde, abrangendo a vigilância epidemiológica, promoção da saúde, vigilância da situação de saúde, vigilância em saúde ambiental, vigilância da saúde do trabalhador e vigilância sanitária (BRASIL, 2009). 


Ações de vigilância da Saúde do Trabalhador

Quais são elas? 

Análise da situação de saúde 

Identificação e análise dos fatores e situações de risco nos ambientes e processos de trabalho 

Intervenção nos fatores determinantes dos riscos e agravos à saúde dos trabalhadores 

 Avaliação do impacto das medidas de proteção adotadas 

 Divulgação sistemática das informações 

 Educação em saúde do trabalhador.



Vigilância Epidemiológica, Dengue e seus tipos

 


O que é Dengue?

O dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus (existem quatro tipos diferentes de vírus do dengue: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos.

O dengue clássico se inicia de maneira súbita e podem ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas no corpo. A febre dura cerca de cinco dias com melhora progressiva dos sintomas em 10 dias. Em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz. Raramente há complicações.


O que é Dengue Hemorrágico?

Dengue hemorrágico é uma forma grave de dengue. No início os sintomas são iguais ao dengue clássico, mas após o 5º dia da doença alguns pacientes começam a apresentar sangramento e choque.

Os sangramentos ocorrem em vários órgãos. Este tipo de dengue pode levar a pessoa à morte. Dengue hemorrágico necessita sempre de avaliação médica de modo que uma unidade de saúde deve sempre ser procurada pelo paciente.


O que é Dengue Tipo 4?

O avanço do vírus tipo 4 da dengue pelo Brasil é uma ameaça à saúde pública. Não pelo vírus em si, que não é mais nem menos perigoso que os tipos 1, 2 e 3, mas pela entrada em ação de mais uma variação do microorganismo.

Existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, o DEN-2, o DEN-3 e o DEN-4. “Causam os mesmos sintomas. A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, explica o consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ivo Castelo Branco.

“Em termos de classificação, estamos falando do mesmo tipo de vírus, com quatro variações”, explica Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Do ponto de vista clínico, são absolutamente iguais, vão gerar o mesmo quadro”, esclarece o médico.

A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. Ou seja, quem já teve dengue devido ao tipo 1 só pode ter novamente se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4.

“Quanto mais vírus existirem, maior a probabilidade de haver uma infecção”, resume Caio Rosenthal, infectologista e consultor do programa Bem Estar, da TV Globo. Se houvesse só um tipo de vírus, ninguém poderia ter dengue duas vezes na vida.

A possibilidade da reincidência da doença é preocupante. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. “Existe certa sensibilização do sistema imunológico e ele dá uma resposta exacerbada”, afirma Litvoc.

Esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode causar inflamações e, por isso, aumenta o risco de lesões nos vasos sanguíneos, o que levaria à dengue hemorrágica. Um terceiro episódio poderia ser ainda mais grave, e um quarto seria mais perigoso que o terceiro.


Qual a causa?

A infecção pelo vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, uma espécie hematófaga originária da África que chegou ao continente americano na época da colonização. Não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento.

Fonte: < http://www.saude.am.gov.br/servico/dengue/dengue.php >



Como armazenar alimentos de forma segura


 A escolha dos alimentos a serem consumidos é feita levando em conta a aparência, odor, textura e temperatura do produto. Porém a forma de armazená-los influência na sua conservação. Saber armazenar de forma correta diminui a chance de contaminação por microrganismos.


CUIDADOS IMPORTANTES: 


1. Alimentos Secos 


• Em local arejado, sem umidade ou calor excessivo. O excesso de umidade possibilita a presença de bolores; 

• Os alimentos devem ser colocados nas prateleiras de forma organizada;

• Procure respeitar a validade dos produtos e organize os alimentos de acordo com a data de vencimento, primeiro que vence/entra, primeiro que sai (PVPS/PEPS). 


2. Alimentos Perecíveis 


• São produtos que têm menor prazo de validade e apresentam mais água em sua composição. A água é uma substância que ajuda a alimentar os micro-organismos e contribui para o crescimento deles, colaborando para o deterioramento dos produtos perecíveis. Alguns exemplos são frutas, vegetais, salgados, leite e derivados e carnes. 


Na geladeira:  


Limpe a geladeira com frequência, para não acumular resíduos;  

Verifique a temperatura da sua geladeira: ela deve ser inferior a 5ºC e o freezer nunca acima de -15º C.  

Regule a temperatura dos equipamentos de acordo com o alimento que exige a menor temperatura;  

Não cubra as prateleiras da geladeira com toalhas ou forros plásticos pois isso dificulta a circulação do ar frio em seu interior;  

Coloque os alimentos já preparados nas prateleiras de cima da geladeira; use as inferiores para armazenar alimentos crus.  Abra a porta da geladeira somente quando for necessário e a mantenha aberta pelo menor tempo possível.  

Após descongelar os alimentos, consuma-os em até 24 horas; se forem carnes ou peixes, consuma-os em até 12 horas.  Mantenha os alimentos em recipientes bem fechados, respeitando os prazos de validade antes e depois da abertura da embalagem original. 

É necessário separar os alimentos crus dos que já foram cozidos para evitar a contaminação.  A geladeira nunca deve ficar muito cheia de alimentos. Mantenha organizada de forma que seja possível visualizar rapidamente tudo oque há disponível.  Nunca descongele os alimentos à temperatura ambiente. 

Faça o descongelamento sob refrigeração, na geladeira. 


Como armazenar na geladeira: 


• Prateleiras superiores: coloque os alimentos que necessitam de maior refrigeração, tais como leite e seus derivados. 

• Prateleiras intermediárias: coloque os alimentos que já foram cozidos, lembre-se de armazená-los em potes com tampa, e não colocar as panelas diretamente na geladeira. 

• Prateleiras inferiores: nas prateleiras inferiores, os alimentos que necessitam de menos refrigeração, ou produtos em descongelamento. 

• Gavetas: Aqui o ideal são aqueles alimentos que você quer que esteja sempre fresco como legumes, verduras e frutas. 

• Porta da geladeira: na porta ocorre maior variação de temperatura, por conta do abrir e fechar, portanto não é aconselhável manter alimentos perecíveis. Na porta podem ser guardadas latas de bebidas, temperos, geleias, conservas, sucos e água. 

• Freezer ou Congelador: no freezer, carnes e preparações certamente terão um tempo de conservação maior. Lembre-se de congelar em quantidades menores, adequadas ao seu consumo, pois uma vez descongelado o alimento não deverá voltar a ser congelado novamente. Carnes cruas devem ser separadas dos alimentos preparados, como marmitas que devem ser identificadas com data de preparo para um melhor controle da validade.


 COMO LIMPAR SUA GELADEIRA e FREEZER? 


1. Desligue a geladeira. 

2. Retire os alimentos da geladeira e aproveite para verificar a data de validade e a qualidade dos alimentos. 

3. Retire as peças removíveis (prateleiras e gavetas), lave-as com água e detergente neutro e deixe secar naturalmente ou seque com pano limpo. 

4. No interior da geladeira, passe uma esponja macia umedecida com água e detergente neutro e enxague com um pano úmido até retirar todo o sabão. Em seguida, seque com um pano seco e limpo. Não se esqueça das borrachas. 

5. O congelador ou freezer devem estar vazios e a limpeza deve seguir a orientação do fabricante. As superfícies removíveis devem ser limpas conforme as orientações das partes removíveis da geladeira. Se tiver muito gelo, espere derreter e remova a água que se formou com o degelo. 

6. Procure limpar seu eletrodoméstico quando não estiver muito cheio, para evitar que os alimentos armazenados não estraguem, já que tudo que está no freezer necessita de uma refrigeração maior. Caso isso não seja possível, deixe os alimentos em uma caixa de isopor com um pouco de gelo ou coloque-os dentro de uma bolsa térmica e leve para a geladeira, até ofinal da limpeza. 

7. Após a limpeza, organize os alimentos na geladeira, freezer.


Fonte: < https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/Como_armazenar_alimentos_forma_segura_covisa.pdf >


Marmitas: Cuidados durante o preparo e transporte de refeições



Em busca de uma refeição saudável, equilibrada e balanceada, além de mais econômica, tornou-se cada vez mais comum o hábito de se levar marmita para o trabalho. Porém, são necessários alguns cuidados durante o preparo e transporte das refeições para se evitar a contaminação e intoxicação alimentar. 

1. Dicas de Preparo/Manipulação 

• Mantenha a cozinha limpa, utensílios e equipamentos a serem utilizados.

 • Utilize água potável para beber e cozinhar. Em caso de dúvida quanto à pureza, ferva a água durante 15 minutos. 

• Escolha alimentos de procedência conhecida e não utilize aqueles com prazo de validade vencido. 

• Os alimentos consumidos crus (frutas, verduras e legumes) devem ser bem higienizados.

 • Mantenha as mãos limpas antes de começar a cozinhar. 

• Após o manuseio de carnes, peixes e frangos crus, higienize as mãos e utensílios utilizados (facas, tábuas). 

• Não utilize tábuas de madeira e colheres de pau. O correto é utilizar utensílios confeccionados de plástico resistente. 

• Leia com atenção o rótulo, siga as instruções do fabricante quanto à conservação depois de aberta a embalagem. 

• Alimentos perecíveis não podem ficar fora de refrigeração. 

• A geladeira deve ser regulada para ficar a 5ºC ou menos. 

• Os ovos devem ser mantidos na geladeira, o prazo de validade deve ser observado e os ovos trincados não devem ser utilizados.

• Sempre descongele alimentos dentro da geladeira ou no micro-ondas, nunca em temperatura ambiente. 

• Cozinhe bem os alimentos, principalmente carnes e ovos. 

• O cozimento é a etapa mais importante do preparo dos alimentos. 

A maioria dos microrganismos que causam doenças morre durante o cozimento. A temperatura segura de cozimento é de no mínimo 74 ºC no interior da peça. Por isso o monitoramento da temperatura durante o cozimento é muito importante. 

• Mantenha os alimentos protegidos, fora de alcance de insetos, pragas e animais domésticos. 

• Evite manter os produtos prontos em temperaturas inadequadas: fora de refrigeração ou em temperatura ambiente por mais de uma hora. Acondicione-os em recipientes limpos, fechados e tampados e levando-os, imediatamente, para refrigeração ou congelador. 

• Ao acondicionar os alimentos dentro do recipiente, separe aqueles que serão consumidos quentes dos frios. Por exemplo, as verduras, saladas de legumes com maionese, frutas deverão ser acondicionadas em recipientes diferentes dos outros alimentos que serão reaquecidos. 

• Evite acondicionar os alimentos fritos, que levam molhos ou ovos junto com os demais, pois estes têm maior probabilidade de estragar e podem contaminar todo o restante da comida. 

Tipos de recipientes 

• Plástico: São mais práticos, porém deve-se tomar alguns cuidados. Para não correr riscos, retire a comida da marmita e coloque em um prato na hora de esquentar no micro-ondas e, se for no fogão, coloque em uma panela. Evite o banho-maria, o plástico pode derreter. 

• Vidro: É a melhor opção, pode ser colocado no micro-ondas e sua higienização é simples. 

• Alumínio: A marmita de alumínio pode alterar a composição e o sabor da comida, como molho de tomate, por exemplo. Não pode ir direto no micro-ondas. Recomenda-se esquentá-la no modo “banho-maria”. 



2. Cuidados durante o transporte 

• Se o trajeto até o trabalho for longo, deve-se acondicionar o recipiente em uma bolsa térmica. Assim, é possível manter a temperatura dos alimentos e evitar que sofram alterações no sabor, na cor e na textura ou até mesmo que estraguem. Saquinhos de gelo ou placas de gelo artificial podem ajudar na conservação dos alimentos durante o transporte. 

• Ao chegar ao trabalho, armazene sua marmita na geladeira ou freezer. 


3. Cuidados durante o consumo 

• No trabalho, reaqueça bem todos os alimentos quentes antes de consumi-los. 

• Tempere a salada apenas na hora de comer para evitar que murchem ou coloque os temperos na parte do fundo do recipiente, misturando apenas no momento de consumo.


Referência:


<https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/marmitas_cuidados_durante_preparo_transporte_refeicoes_COVISA.pdf >


Recomendações ao consumir na Manipulação de Alimentos


 

1. Dicas de Preparo/Manipulação 

• Escolha alimentos elaborados de forma higiênica e com procedência conhecida. 

• Leia com atenção o rótulo, siga as instruções do fabricante quanto à conservação depois de aberta a embalagem. 

• Alimentos perecíveis não podem ficar fora de refrigeração. 

• A geladeira deve ser regulada para ficar a 5º C ou menos. 

• Os ovos devem ser mantidos na geladeira, o prazo de validade deve ser observado e os ovos trincados não devem ser utilizados. 

• Sempre descongele alimentos dentro da geladeira ou no micro-ondas, nunca em temperatura ambiente. 

• Cozinhe bem os alimentos, principalmente aves e ovos. 

• Evite misturar alimentos crus com cozidos. 

• Consuma os alimentos logo após serem preparados. Quanto maior o tempo de espera, maior o risco de contaminação. 

• Guarde os alimentos cozidos sob refrigeração. Mantenha os alimentos fora de alcance de roedores, insetos e outros animais. 

2. Cuidados de Higiene 

• Mantenha sempre limpas e secas as superfícies da cozinha. 

• Os panos de pratos e as esponjas devem estar limpos e secos. 

• As tábuas para carne devem ser de plástico e lavadas com água quente. 

• O ralo da pia deve ser lavado e enxaguado com água fervente ou água sanitária. 

• A pia deve estar sempre seca e evite lixeira de pia. 

• As mãos devem ser lavadas antes de lidar com os alimentos, principalmente após ir ao banheiro e mexer no lixo. 

• O lixo deve ser recolhido diariamente. 

3. Cuidados ao Comprar 

• As carnes devem estar sob refrigeração, com cor e aspecto normais. Quando congeladas, não devem apresentar sinais de descongelamento ou amolecidas. 

• O peixe seco (bacalhau) deve estar livre de sinais de umidade e manchas róseas; deverá estar exposto protegido da poeira, insetos e em local seco. 

• Observar as indicações da embalagem, quanto ao fabricante, endereço, data de validade, modo de conservação e preparo, peso e número de registro no SIF, SISP quando se tratar de origem animal. 

• As latas devem estar íntegras, sem sinais de estufamento e ferrugem. 

• As frutas secas devem estar armazenadas em local fresco, sem umidade e com embalagem íntegra. No caso de produtos vendidos a granel, observar a ausência de mofo e de insetos. 

• Os manipuladores de alimentos devem estar com as mãos limpas, unhas curtas, sem esmalte e adornos. Deve usar uniforme limpo e proteção no cabelo.

Quadro clínico da raiva em animais

Raiva canina:

O período de incubação é, em geral, de 15 dias a dois meses. Na fase prodrômica os animais apresentam mudança de comportamento, escondem-se em locais escuros ou mostram uma agitação inusitada. Após 1 a 3 dias, ficam acentuados os sintomas de excitação. O cão se torna agressivo, com tendência a morder objetos, outros animais, o homem, inclusive o seu proprietário, e morde-se a si mesmo, muitas vezes provocando graves ferimentos. A salivação torna-se abundante, uma vez que o animal é incapaz de deglutir sua saliva, em virtude da paralisia dos músculos da deglutição. Há alteração do seu latido, que se torna rouco ou bitonal, em virtude da paralisia parcial das cordas vocais.

Os cães infectados pelo vírus rábico têm propensão de abandonar suas casas e percorrer grandes distâncias, durante a qual podem atacar outros animais, disseminando, desta maneira, a raiva. Na fase final da doença, é frequente observar convulsões generalizadas, que são seguidas de incoordenação motora e paralisia do tronco e dos membros.

A forma muda se caracteriza por predomínio de sintomas do tipo paralítico, sendo a fase de excitação extremamente curta ou imperceptível. A paralisia começa pela musculatura da cabeça e do pescoço; o animal apresenta dificuldade de deglutição e suspeita-se de “engasgo”, quando então seu proprietário tenta ajudá-lo, expondo-se à infecção. A seguir, vêm a paralisia e a morte.
 
Raiva felina:

Na maioria das vezes a doença é do tipo furioso, com sintomatologia semelhante à raiva canina.

Observação: Especial atenção dever-se-á dar a outras sintomatologias que podem ocorrer quando a raiva em cães e gatos for transmitida por morcegos, fato que vem ocorrendo em algumas regiões do país.

Raiva em bovinos:

Na raiva transmitida por morcegos hematófagos –Desmodus rotundus - o período de incubação é geralmente mais longo, com variação de 30 a 90 dias, ou até mais. A sintomatologia predominante é da forma paralítica.

Raiva em outros animais domésticos: 

A sintomatologia da raiva em equídeos, ovinos, caprinos e suínos é bastante semelhante à dos bovinos. Depois de um período de excitação com duração e intensidade variáveis, apresentam sintomas paralíticos que dificultam a deglutição e provocam incoordenação das extremidades. Muitos animais apresentam alteração de comportamento e ingestão de objetos estranhos.

Raiva em animais silvestres: 

A raiva ocorre naturalmente em muitas espécies de canídeos e outros mamíferos. Com base em estudos epidemiológicos, considera-se que os lobos, as raposas, coiotes, chacais são os mais susceptíveis. Os morcegos (hematófagos ou não hematófagos), guaxinim e as “mangostas”, apresentam um grau menor de susceptibilidade. A sintomatologia dos canídeos silvestres é, na maioria das vezes, do tipo furiosa, semelhante à dos cães.

 

Fonte: < https://www.saude.sp.gov.br/instituto-pasteur/paginas-internas/o-que-e-raiva/quadro-clinico-da-raiva-em-animais >
Fonte imagem: < https://cdn.pixabay.com/photo/2014/04/21/18/31/dog-329280_1280.jpg >

Zoonose, Saiba mais sobre: Cinomose


Cinomose é uma doença altamente contagiosa provocada pelo vírus CDV (Canine Distemper Vírus) ou Vírus da Cinomose Canina (VCC) também conhecido como Vírus da Esgana Canina, da família Paramyxoviridae, que atinge animais da família Canidae, Mustelidae, Mephitidae e Procyonidae (entre eles cães, furões e alguns outros animais silvestres). Em Portugal, é também conhecida como esgana. Ela degenera os envoltórios lipídicos que envolvem os axônios dos neurônios, conhecidos como bainha de mielina. Ela afeta a todos os cães, é raro que haja algum que não tenha sido exposto ao vírus, exceto no caso de cães que vivem isolados. Junto com ela, geralmente por bactérias.

Vacina

As vacinas polivalentes óctupla(V8) e déctupla (V10), que previne a Cinomose é administrada em filhotes a partir de 45 dias de vida, tendo mais duas doses subsequentes com intervalos de 21 dias entre elas. Após a 3° dose, todos os cães necessitam de reforços anuais, independentemente da idade. Só depois da terceira dose é que ele estará protegido da doença.

Transmissão

Em geral, a transmissão ocorre através do contato com secreções do nariz e boca do animal. Isso pode se dar através de um espirro do animal doente, espalhando a secreção infectante. O vírus da Cinomose tem pouca resistência em nível ambiental, ou seja, fora do organismo do seu hospedeiro, o que facilita o controle ambiental da disseminação da doença, diferentemente do que ocorre com a parvovirose, por exemplo.
As características sistemáticas do inverno desfavorecem a presença deste vírus no ambiente, por isso o cuidado deve ser redobrado nesta época. Apesar da sensibilidade do vírus no ambiente, há muitos relatos de casos de criadores que perderam animais vitimados pela cinomose após serem introduzidos em ambientes onde outros cães haviam morrido anteriormente com a doença, no período que engloba até aos seis meses anteriores. Por esse motivo é aconselhável concluir todo o esquema de vacinação, de pelo menos três doses, antes de introduzi-los nesse ambiente contaminado.

Sinais Clínicos

A Cinomose é uma doença muito grave em cães. A descrição clássica em livros e textos é de uma infecção viral aguda caracterizada por febre bifásica, secreções nasal e ocular, indisposição, anorexia, depressão, vômito, diarreia, desidratação, leucopenia, dificuldades respiratórias, hiperceratose do focinho e dos coxins plantares, mioclonia e sintomatologia neurológica.

Tanto os animais tratados quanto os não tratados podem desenvolver sintomatologia degeneração avançada da bainha de mielina, o cão pode apresentar paralisia devido à fragmentação dos neurônios.

Como a maioria dos cães infectados ficam com as pupilas dilatadas, ao notar isso é aconselhável manter o cão em local com pouca luz, isso evitará a queima da retina que pode acarretar cegueira.

Tratamento

Há até pouco tempo, a cinomose remontava um longo histórico de insucessos no que tange aos tratamentos para animais acometidos. Dois fatores se associavam e possuíam papel importante na manutenção dessa perspectiva negativa.
O primeiro pode ser considerado quase cultural, animais acometidos não recebem a devida atenção até que a doença atinja sua fase nervosa. Durante esta fase não neurológica, os sintomas comumente observados são distúrbios intestinais e respiratórios, apatia, falta de apetite e ressecamento do coxin palmar, e este quadro costuma não ser o bastante para alarmar os proprietários. Sendo o auxílio médico procurado somente quando a doença atinge a fase nervosa e a perturbação do estado do animal é mais chocante.

O segundo fator é decorrente da antiga interpretação que se tinha do mecanismo de ação do vírus na fase nervosa. Supunha-se que as lesões que ocorriam eram resultado de uma reação estritamente auto-imune, como se o vírus da cinomose desencadeasse algo, fosse eliminado, mas a reação desencadeada continuasse. Por isso era preconizada uma intervenção através de anti-inflamatórios e imunossupressores, pois se via uma necessidade de suprimir esta condição de auto-flagelo.
Foi averiguado que a ação dos macrófagos sobre células nervosas é orientada sobre células contaminadas, o que indica que a reação auto-imune é conseqüência direta da presença do vírus. Uma vez constatado isso, fica fácil entender como os fatores citados contribuem para o óbito dos animais infectados: os proprietários buscam ajuda especializada somente quando a doença está em estagio avançado (fase neurológica) e a prescrição de anti-inflamatórios (que são geralmente corticóides) minam o sistema imune do animal, permitindo além da proliferação do vírus, também a reação auto-imune que aumenta como forma de contenção das células infectadas.

Os tratamentos de maior sucesso para cinomose canina são apropriações de tratamentos consagrados para outras enfermidades causadas por vírus similares, como é o caso do Ribavirin e da Vitamina A, que são utilizados no tratamento do sarampo, mesma família e gênero (Paramyxoviridae – Morbilivirus) e do Alfa Interferon, utilizado para o tratamento do sarampo e quando se deseja preservar aves acometidas pela doença de Newcastle, mesma família, mas gêneros diferentes (Paramyxoviridae – Avulavirus).

As primeiras referências de que tratamentos eficazes para vírus similares poderiam ser efetivos para cinomose surgiram quando trabalhos verificaram que a cinomose era uma doença equiparável ao sarampo e animais infectados poderiam ser utilizados para o desenvolvimento de novas tecnologias para tratamento do sarampo. A dúvida se para o caso do sarampo a recíproca seria verdadeira foi esclarecida quando estudos verificaram a eficácia de tratamentos clássicos para o sarampo quando estes eram aplicados sobre animais com cinomose.
A primeira constatação foi quando a indução de altos níveis séricos de Vitamina A, que é um tratamento ostensivamente utilizado para tratamento de sarampo (sendo inclusive recomendado pela Organização Mundial da Saúde), produziu um efeito de 100% de cura em animais experimentalmente infectados. O grupo que não recebeu a suplementação veio todo a óbito. Atualmente já se sabe que retinóides (vitamina A e seus derivados) tem efeito inibidor direto sobre o vírus do sarampo, o que corrobora sua capacidade como tratamento em animais com cinomose.

A constatação da eficácia da Vitamina A no tratamento da cinomose encontra nos carnívoros, especialmente nos cães, um aliado excepcional, que é sua capacidade de conversão da Vitamina A em ésteres não tóxicos. Esta característica dos carnívoros é bem conhecida, o que afasta os riscos de uma possível hipervitaminose decorrente da manutenção de altas doses. Para os cães em especial existe um valor de referência para mensurar o risco da hipervitaminose, um estudo realizado nos Estados Unidos constatou que é preciso uma dosagem de 300 000 UI/kg diária, durante trinta dias, para que os primeiros sinais de hipervitaminose apareçam; e é preciso sessenta dias de ingestão dessa dosagem para levar o animal a óbito. Sendo que esta dosagem, 300 000 UI/kg é sessenta vezes maior do que o limite estabelecido para humanos.
Os mecanismos de ação que explicam sua efetividade no tratamento da cinomose permanecem sem compreensão plena, assim como esta questão também existe para o caso do sarampo. Alguns indícios apontam para uma ação indireta, como a verificação de que há a redução das quantidades de Vitamina A durante a infecção,apontando para a hipótese de que a Vitamina A seja matéria-prima para algum mecanismo de resistência à infecção. A própria característica anti-infectiva não específica da Vitamina A é um mistério, não havendo no entanto qualquer dúvida sobre sua efetividade, com mecanismos de ação elucidados ou não.

A adoção do Ribavirin como tratamento para cinomose seguiu os mesmos passos da Vitamina A, ele era a princípio utilizado em casos de panencefalite esclerosante subaguda decorrentes do sarampo. A primeira verificação da efetividade se deu in vitro. O que permitiu constatar que o vírus da cinomose é bastante susceptível ao Ribavirin e a seu mecanismo de indução ao error-catastrophe, sendo necessários de 0,02 a 0,05 micro mols para um efeito inibitório na replicação do vírus de 50%.
A principal preocupação na utilização do Ribavirin era o resultado de sua interação com a barreira hemato-encefálica. Sendo o cérebro região imunológicamente privilegiada, a dúvida residia na capacidade do Ribavirin de ultrapassar tal barreira. Um estudo utilizando camundongos com encefalite decorrente do sarampo verificou-se que uma vez que o vírus tenha se estabelecido na fase nervosa, a barreira hemato-encefálica de certa forma tomba, reduzindo a restrição para a ação do Ribavirin nestas áreas. 
A verificação de todos estes resultados in vivo é resultado de um estudo nacional e foi realizado utilizando apenas animais que já houvessem desenvolvido a fase nervosa da doença, o resultado foi uma eficácia de 80% As ressalvas encontradas foram a necessidade de monitoramento do animal devido ao risco de uma leucopenia e também a necessidade da ingestão de alimentos ricos em triglicerídeos de cadeia longa (gorduras) tanto para melhor absorção do medicamento quanto para preservação das mucosas gástricas, que são bastantes susceptíveis ao Ribavirin.

Fonte: Wikipédia
Imagem: <https://i0.wp.com/chemitec.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cinomose-1000x600.jpg>